quinta-feira, 9 de agosto de 2007

"Há 9 anos, 3 dias e 45 minutos que não bebo álcool"

O orgulho com que disse esta frase não mascarou no entanto o ligeiro tremor que a visão de uma cerveja fresca lhe causou. Talvez por isso se ensombrou o olhar que se perdeu no fundo da chávena de café (um dos vícios substitutos do outro, do pior "do que me desgraçou a vida").
E ela olhava-o e cantarolava para dentro "reduz as tuas necessidades se queres passar bem, que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo e a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo". Desviou a sua atenção para a vela que estava em cima da mesa e a pequena chama encheu-se de lágrimas, reduzira tanto as suas necessidades ao longo dos anos que se negou à liberdade prometida da música.

2 comentários:

Fraude disse...

MEU DEUS!
Está lindo! Conseguiste escrever poesia em prosa sobre a dura realidade de tantas pessoas e famílias.
Nota: Eu não bebo há 41 dias mas a suposta "barriguinha de cerveja" não dá sinais de ceder...

Trambolho ao Postigo disse...

Quando se sabe há quantos dias não se bebe...