domingo, 11 de janeiro de 2009

João Pedro Pais, ou, Um Toque de Genialidade.

Hoje, enquanto regressava a Évora para mais uma emocionante semana com temperaturas negativas, dei por mim a ouvir na telefonia uma melodia do João Pedro Pais. Nesse momento, as escamas caíram-me dos olhos e percebi quão profundas palavras ouvira.
Ele é, literalmente, uma besta poética incompreendida. JASUS!!!
Só para que entendam o meu ponto de vista, vou dissertar um dos seus maiores êxitos. Digno para música de uma novela da TVI.

Não há ninguem como tu- by João Pedro Pais, essa besta poética.

Já não há mais o que vagar
dois olhares envergonhados
agora tudo é discreto
até já esqueces o passado
se te perguntarem
se estive ausente
vão ouvir dizer
que não me vendo
nem me dou a toda a gente

Ok, comecemos.
Não sei onde é que ele andou enfiado até aos dezasseis anos para pensar que hoje em dia é tudo mais discreto que antigamente. Ah... É verdade, estava na Casa Pia... Dai aquela conversa de não se vender a toda a gente. Rapazinho ajuizado. Ajuizado e com sentido para o negócio.

Não há... ninguém como tu,
tão diferente
não há...ninguém como havia,
antigamente

E ainda bem, digo eu, já não há ninguém como antigamente. Felizmente. Não me apetecia muito ser vizinho do Benito Mussolini ou frequentar o mesmo café que o Átila.

As pessoas que tu ves
no meio das avenidas
todas procuram assentos
já nem ligam ao dia-a-dia
os mendigos que se escondem
nas arcadas divididas
fumando definitivo
deitando contas à vida
e se alguém notar
a tua indiferença
diz-lhes que o acaso
é mera coincidência

Agora fiquei espantado! A consciência social! A preocupação com os pulmões dos mendigos e as vendas da Tabaqueira.

Não há... ninguém como tu,
tão diferente
não há...ninguém como havia,
antigamente

Outra vez a mesma coisa.

Não há... ninguém como tu,
tão diferente
não há...ninguém como havia,
antigamente

E outra.

Não há... ninguém como tu,
tão diferente
não há...ninguém como havia,
antigamente

E outra.

Não há...
Não há ninguém como tu!

E o final tão esperado. O culminar de toda uma letra marcada pelo sofrimento. Poética. PDramática e sofrida. Própria para uma opereta.
Esse tipo é um verdadeiro poeta. Qual Antero, qual Camões.
Tinha mais para escrever mas a letra deu-me uma vontade enorme de fazer cócó.

2 comentários:

Trambolho ao Postigo disse...

Eu, a minha irmã e uma amiga minha (leitora deste blog, a grande jubita) ODIAMOS tanto este João que já pensei em formar um grupo anti-JPP. Obrigada pelas tuas palavras, um grande bem haja ao senhor SANDES.

dusty disse...

Il soufre, il soufre.
Já não me lembrava que esse tipo existia.