quarta-feira, 11 de julho de 2007

Selo Verde? Tá aprovado!

Acho um piadão à recente “Onda Verde” que invadiu os anúncios televisivos. Como é óbvio, não sou contra ele. Tudo o que seja a favor da natureza, do ambiente, eu sou o primeiro a dizer-me a favor. Mas é impressionante. Iogurtes biológicos patrocinados por hippies, fruta e legumes biológicos patrocinados por um elefante com um trevo na tromba acompanhado pela mais irritante música de toda a criação, sumos biológicos que apelam à economização de energia, papel higiénico biológico quando o que mais interessa nele é que seja macio e não semelhante a lixa nº2 para metais fundidos. O engraçado é que todo este palavreado afloreado vende. Vende tanto quanto as palavras fresco, natural, tradicional ou caseiro.
Quando dizem tradicional, querem que pensemos nos bons velhos tempos, não é? Os bons velhos tempos. Antes de ser obrigatório seguir as regras básicas de higiene. Antes de a limpeza estar na moda. Na altura em que o pano com que se limpava o rabiosque da vaca servia também para limpar as tetas desta. Quando ainda se consideravam que a Escherichia coli* e a salmonela ainda eram um condimento e que diarreias violentas eram castigos de Deus por pensamentos libidinosos.
Ao lado, no departamento de nostalgia, encontramos o rótulo caseiro. Podem ver pelas palavras nas prateleiras do hipermercado. Sabor caseiro. Pois. Sim… Oiçam o que vos digo: uma fábrica com milhares de metros quadrados não pode produzir nada que seja caseiro. Não quero saber que o presidente do concelho administrativo viva na cave, usa avental rendilhado, faça comida num fogão a lenha e vá fazer as necessidades fisiológicas atrás de um eucalipto. É impossível. E adoro ver rótulos de sopa pré-cozinhada que dizem caseira. Eu não me importo que a empregada de metro e meio viciada em anfetaminas com cabelo cor de laranja e a fumar três cigarros ao mesmo tempo seja parecida com a mãezinha. A sopa não é caseira. A não ser que a cozinheira e a família durmam e vivam na cozinha. E, nesse caso, perdi o apetite.
Comida caseira em hipermercados é um mito. Querem saber o que é realmente caseiro? Uma bomba de pregos, um cocktail molotov ou daqueles pauzinhos que fazem BUUUM que os tipos do médio-oriente atam à cintura. Isso sim é caseiro. Se precisarem de mais informações consultem o bloco de notas de qualquer membro da Al-Qaeda. Esses sabem fazer umas coisas à moda antiga.

*Espécie de bactéria presente nas fezes.

1 comentário:

sumo de limão disse...

ahahahah... idolo ta fantastico.. kurto tanto as tuas teorias... mais um post simplesmente perfeito :)


p.s. adoro a tua maneira de escrever e de pensar.. nao tavas de ressaka pois nao? xD

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