terça-feira, 13 de março de 2007

Um cremoso café expresso blá blá blá

Cenário: Café-Lounge armado em chique.

Situação: Eu completamente cheio de fome às 15 h de segunda-feira.

Descubro que o nome para um vulgar café foi substituído por: cremoso e fresco café dos mais puros grãos de uma suave mistura colombiana e árabe. Ok. Seja. Mas café ou bica para mim chegava depois de me refastelar com uma bela sandes.
É engraçado como a linguagem floreada chegou a alguns restaurantes e até a cafés. Acho uma imensa piada. Já repararam por mero acaso que já desapareceu das ementas (que até foram substituídas pelas sugestões de refeição) o belo Bife ou Bitoque? Homessa.

Têm que arranjar nomes engraçadinhos e alinhados para tudo. E eu adoro alinhar nestas coisas. Porque não usar a língua das ementas para fazer o pedido? Ein? Mas se o fizerem, têm que o fazer como deve ser! Nada de ler directamente da ementa. Em vez disso, devem decorar a descrição do que querem pedir com todos os pormenores e, a seguir, olhar o empregado directamente nos olhos e dizer:
«Queria o vosso suculento e delicioso bife feito da melhor carne seleccionada entre o gado que pasta livremente nas planícies alentejanas, levemente grelhado numa chapa do mais puro aço inoxidável, servido com o mais alvo e puro arroz colhido à mão e seleccionado bago a bago pelas mais argutas e puras mãos de trabalhadores do leste europeu que trabalham na zona da bacia do Sado, ao lado das mais crocantes batatas fritas em óleo 100% vegetal, extraídas do solo mais fértil de uso para agricultura biológica fertilizado com bosta proveniente do ânus das melhores vacas contaminadas por bactérias devoradoras de medula e carne». Vejam lá se isso não melhora de forma magistral o serviço?

Mas, para completar o pedido com o café, peço depois assim: «Não se importa de me trazer um copo cilíndrico e perfeitamente transparente, contendo alguns decilitros desse néctar insípido, inodoro e incolor a que convenientemente se decidiu chamar água?».

Costumam olhar-me de atravessado. Não sei porquê. Palavra.

7 comentários:

claudia disse...

olá
o teu post fez-m lembrar uma situação que vivi hoje em que tudo acabava em inho:
pastelinho de nata
queijadinhas...
enfim...

fica bem

trambolho ao postigo disse...

Acho que o tempo de atendimento dos nossos mais tradicionais, extraordinários e distintos, estabelecimentos de restauração, iria quadriplicar, com este tipo de pedidos...

dusty disse...

Pois, entendo. É uma estratégia dar 'nomes novos' à comida, qualquer banal prato se pode tornar um mistério. É fácil deixar-mo-nos seduzir por uma 'omolete de ervas finas' do que por uma omolete de salsa e cebola. Claro que a reacção não é muito positiva quando se vê realmente o que se vai jantar...

Jubita disse...

Imaginem os pedidos feitos assim no Algarve em pleno mês de Agosto!!!

Sandes de Choco c/mortandela disse...

sabem acerca de que vou escrever um dia destes? Das aguas c/ pouco gás( levemente gaseficadas? mas que raio!) e das aguas de sabores só para que saibam.

Sandes de Choco c/mortandela disse...

Para que saibam, só vou ao Algarve no Verão se tiver uma faca bem afiada apontada ao pescoço.

Sandes de Choco c/mortandela disse...

É que custa-me falar bem inglês quando estou embriagado.