quinta-feira, 29 de maio de 2008

Já farta assim um bocadinho a modos que muito

Hoje vi o telejornal da TVI.
Fui assaltado por um sentimento que me é raro: a INVEJA.
Por momentos quis ser o Miguel Sousa Tavares. Mas palavra que quis mesmo. Mas que belo emprego sim senhor. Ser pago para falar e dizer aquilo que penso sem ligar cavaco aos outros. Até me imaginei:

Pivot (não é o dos dentes, é o do telejornal): Sandes, que acha da crise no médio oriente?
Sandes: Acho que sim. Mas digo desde já que os americanos não eram nada sem o Trotsky que mandava na URSS e que esta não era nada sem Cuba, que, por sua vez, não era nada se não pertencesse ao distrito de Beja!
Pivot: Sem dúvida! E qual a sua opinião acerca do aumento dos combustíveis?
Sandes: Porreiro pá! (enquanto tirava descontraidamente a catota com a unhaca do mindinho).

O verdadeiro problema seria se me perguntassem sobre futebol, o que parece dominar de momento todos os aspectos da vida de qualquer português. E tenho que falar acerca disso.
Não basta ter que papar com 95% dos telejornais relacionados com a selecção portuguesa, não basta ter que apanhar com 70% da publicidade televisiva com anúncios imbecis acerca do Euro 2008, como ainda apanhar nos bancos com imbecilidades de cartões Multibanco como aquele cartão de sócio da selecção. Palavra. “Epá, eu gosto mesmo da selecção!” “ Mas não gostas mais que eu porque eu sou sócio e tu não!”. Ridículo o que se inventa para enganar patêgos bem intencionados. E eu a pensar que o que bastava era ser português para poder torcer bem pela selecção das quinas.
Antes, no tempo da velha senhora, vivia-se os três Fês. O Fado, Fátima e o Futebol.
Parece que este último conseguiu suplantar os outros primeiros.
Outra coisa que não percebo é aquela gente toda excitada a ver os treinos da selecção. Homens agarrados às redes a bradarem de goela escancarada todos excitados a pedirem a t-shirt toda suada e a cheirar a cavalo dos jogadores. Não compreendo como podem ficar excitados por ver outros homens correr mas pronto… isso sou eu que sou assim. Enfim.
Neste momento vocês estão a julgar: “ Porra que este Sandes só vê aspectos negativos no Euro…” Não é? Pois enganam-se. Vejo positivos. De certeza que durante o Euro não vai haver, ou quase, incêndios florestais.

E quanto ao aumento dos combustíveis, do péssimo sistema de saúde português, do cada vez pior poder de compra dos portugueses, do Cláudio Ramos, do terramoto na China e etç? Epá, isso logo se pensa numa solução quando acabar o Euro.
Porreiro pá.

1 comentário:

efe disse...

quando acabar o Euro inventa-se outra merdice qualquer para desviar as atenções da discussão daquilo que é "problemático" para os desonestos que nos governam e dirigem.

e vá festas e foguetes.