domingo, 28 de janeiro de 2007

Febre de Domingo à tarde

No Reino Encantado, tudo ia supimpa!

Mais um domingo à tarde passado na pasmaceira do lar. Está um frio na rua de cortar os pulsos. Ligo a televisão para ver se está a dar alguma coisa catita. Pois… É domingo à tarde. Liguei o pc e um dvd. Escolhi o “One Flew Over the Cuckoo’s Nest”. Como é óbvio, não há nada do que eu diga acerca deste filme que não tenha já sido dito.

Normalmente evito expressões do tipo “deficientes mentais” ou “emocionalmente instáveis”. Não podemos deixar que a linguagem politicamente correcta determine o modo como nos exprimimos. Prefiro linguagem simples. Nada de palavreado de 10 a 20 euros. Palavreado simples mesmo. Malucos, doidos, chanfrados, balhelhas. «O mundo está cheio de malucos e muitos deles são doidos e chanfrados. Ou serei eu que sou balhelhas?» E os humanos adoram ser criativos quando descrevem a maluqueira de alguém. Aqui ficam algumas descrições de maluquice de que gosto particularmente:
-Têm um parafuso a menos.
-Não joga com o baralho todo.
-Não bate bem da bola.
-Não é bom da cabeça.
-É especial…

Aqui está uma bizarra: «Têm residência fixa na freguesia da Nossa Senhora da Maluqueira». Lindo! Acho que é preciso ter problemas sérios de gestão de tempo para ficar sentado a inventar estas coisas. A próxima soa muito bem mas confesso que me custa a perceber: «É doido varrido.» Por alguma razão obscura, apesar de não se perceber o significado, transmite com precisão o que queremos dizer, não é?

E, se vamos ser irreverentes nas descrições de gente maluca, também teremos que nos esmerar para descrever os locais onde as metem. Durante grande parte da história da humanidade, decidiu-se que o melhor sítio para alojar os malucos eram as ruas, o que até fazia sentido porque as ruas são autênticos manicómios ao ar livre. Com o iluminismo em França (Lá na France nã éi assim, ein?), os malucos foram encafoados em sítios chamados instituições para débeis mentais”. Como o nome era demasiado louco, passou-se a chamar casa de doidos”. Estas depois transformaram-se em “Asilos para malucos, manicómios, lares para deficientes mentais” e finalmente, “hospitais psiquiátricos”.
Pessoalmente, prefiro estas três versões: “Fabrica de pirolitos”. Bonito ein? “Hotel da barafunda” esta sim revela tudo, e, por fim, mas não esquecido, “Reino Encantado”.
«Levaram-no para o Reino Encantado». E sabem como foi? No Chanfradomóvel.
Já agora, estou-me completamente nas tintas se nevou em Lisboa ou não.
Isto sim é linguagem directa.

2 comentários:

trambolho ao postigo disse...

Na minha terra usa-se parvo ou parvinho, mas eu não gosto. "Coitado é parvinho" isto é estúpido. E não é para ser políticamente correcta. Passo a explicar. O meu vizinho de cima é esquizofrénico, vive sózinho desde que os pais morreram e a irmã (que é a pessoa mais odiável que conheço) não lhe presta qualquer assistência. Podem pensar, mas porque é que ele precisa de ajuda há milhares de pessoas que vivem com esta "doença". Pois, mas isso é quando se toma a medicação, não se bebe e se tem um trabalho.
Porque é que doença está escrita entre aspas? Porque sempre imaginei o mundo ao contrário, como será que ele me vê a mim? Conhece-me, sabe o meu nome e, por vezes, quando está cá no mesmo mundo, cumprimenta-me nas escadas.
Há 20 anos que o oiço a descer e a subir as escadas, a dar três voltas à chave cada vez que entra e sai de casa, mesmo que isso se repita de cinco em cinco minutos.
Todas as noites a andar de um lado para o outro como um fantasma. Estas repetições cansativas, os dias sempre iguais dele serão assim tão diferentes dos meus dias sempre iguais?
As pessoas fogem e ignoram os "parvos", mesmo sabendo que é doença não contagiosa. Ele é uma ilha. A loucura é uma ilha e a demência é um oceano!

Sandes de Choco c/mortandela disse...

Ok. Depois de ler aquilo que escrevestes, vou-me sentar quietinho.